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​NOSTALGIA

           ALTAIR, O GIGANTE FRANZINO

Por Carlos Castilho

Já faz muito tempo que a torcida do Fluminense não se dá  por satisfeita com os laterais esquerdos que defendem o seu time de coração. As contratações se sucedem, algumas promessas aparecem mas duram pouco, como Marcelo que está no Real Madrid, e a insatisfação vai se eternizando.

 

Mas foram do Fluminense alguns dos que ocuparam a posição na Seleção Brasileira, como Bigode, no fim dos anos 40  e titular da equipe vice-campeã da Copa do Mundo de 1950, time recheado de grandes craques, Marco Antônio, integrante do grupo campeão do mundo de 1970, repleto de estrelas, e principalmente Altair.

 

Seu porte físico não recomendava que atuasse na defesa, mas foi jogando na lateral, e tempos depois, como quarto zagueiro, que o “Gigante Franzino”, como era conhecido, marcou época defendendo o time das  Laranjeiras.

 

Vindo do Manufatora de Niterói, chegou ao clube em 1955 e dois anos depois passou ao time principal, pelo qual atuou até o começo de 1970.Foram ao todo 551 jogos pelo time tricolor, sendo o quarto jogador que mais jogou pelo Fluminense em sua história, superado apenas por outros três grandes ídolos do clube: Castilho, Pinheiro e Telê. Dos quatro,  é o único que defendeu apenas o Fluminense, nunca esteve em outro clube.

























 

Apesar de franzino, Altair caracterizava-se por jogar duro, e não podia ser de outra forma, uma vez que tinha que marcar pontas-direitas do nível de Garrincha, Joel (Flamengo), Sabará (Vasco), Julinho (Palmeiras), Maurinho (São Paulo), Cláudio (Corinthians) e outros da mesma qualidade. Era conhecido  também como “Rei do Carrinho”, por utilizar-se muito desse recurso, mas todos os seus oponentes sempre reconheceram nele um marcador leal.

 

Aliás, como conta Ruy Castro em seu livro “Estrela Solitária-Um Brasileiro Chamado Garrincha”,  Altair e o inesquecível ponteiro, foram protagonistas da criação do chamado “fair-play”, hoje recomendado pela FIFA e praticado habitualmente em todos os campos do mundo.

 

Ruy Castro descreve o fato ocorrido num clássico Fluminense e Botafogo disputado no Maracanã em 1960:

 

“Aos 3 minutos do segundo tempo, numa disputa de bola com Quarentinha, Pinheiro caiu com distensão muscular e a bola sobrou limpa para Garrincha, que ouviu o zagueiro do Flu cair e gritar. Em vez de avançar pela avenida aberta em direção ao gol, jogou a bola de propósito para lateral para que Pinheiro fosse socorrido.

 

Nas tribunas do Maracanã, o jornalista Mário Filho, ao ver aquilo, levantou-se da cadeira.

 

- É o Gandhi do futebol!

 

Mas a beleza do lance ainda não havia terminado. O bandeirinha marcara o lateral a favor do Fluminense. Altair foi repor a bola em jogo e ficou na dúvida. Aquela bola, moralmente, não era do Flu. Então fingiu cobrar errado o lateral e fez a bola quicar de volta para fora, devolvendo-a ao Botafogo.”

 

Assim era o grande jogador, que também defendeu a Seleção Brasileira como lateral e como quarto-zagueiro, pela qual foi campeão do mundo de 1962, da Taça Bernardo O”Higgins em 1959, 1961 e 1962, tendo disputado, ainda, a Copa do Mundo de 1966.

 

 

Pelo Fluminense Altair foi campeão carioca em 1959, 1964 e 1969, do Torneio Rio-São Paulo de 1957 e 1960 e da Taça Guanabara em 1966 e 1969.

 

Antes de deixar definitivamente o futebol, Altair integrou algumas Comissões Técnicas que dirigiram seu clube de coração, inclusive a que levantou o título carioca de 1965 (o do gol de barriga de Renato), inesquecível para a torcida tricolor .

 

Hoje, aos 75 anos, Altair mora em sua terra natal, São Gonçalo.







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