

NOSTALGIA
O OCTOGENÁRIO ESCURINHO
Por Carlos Castilho
“Escurinho não foi um jogador de duas ou três jogadas. Absolutamente. De fio a pavio das batalhas, ele brilhava como uma Sara Bernhardt em primeira audição”- Nelson Rodrigues.
No próximo dia 3 de julho completará 83 anos de vida o inesquecível ponta esquerda Benedito Custódio Ferreira, o Escurinho, que certamente ainda está na memória dos torcedores mais antigos do Fluminense e mesmo dos adeptos de outros times que acompanhavam o Campeonato Carioca. Caracterizava-se por sua velocidade, que lhe permitia receber lançamentos longos de Didi, que por um bom tempo foi seu companheiro de time, e era mesmo motivo de brincadeira da torcida o fato de que o magistral meia dominava a bola e, sem olhar, a lançava para a esquerda e gritava: –“Vai Escurinho!”. Invariavelmente o ponta ia e a alcançava ainda que ela estivesse mais para o marcador adversário.
Contratado pelo Fluminense ao Vila Nova, de Nova Lima-MG, em 1954, Escurinho figura entre os 5 jogadores que mais vestiu a camisa tricolor (490 vezes) e entre seus 10 maiores artilheiros, tendo assinalado 113 gols.
Convocado por Zezé Moreira para a seleção brasileira que foi à Copa do Mundo de 1954, quando ainda defendia o Vila Nova, foi cortado por apresentar problemas dentários e a seleção seguiu para a Suiça com apenas um ponta esquerda (Rodrigues) e com mais um goleiro completando a lista de 22 jogadores. Mas no ano seguinte teve oportunidade de defender o Brasil nas Taças Oswaldo Cruz e Bernardo O’Higgins formando um “senhor ataque” com os craques Garrincha, Walter Marciano, Evaristo Macedo e Didi. Atuou 10 vezes pela seleção.
Escurinho foi campeão carioca pelo Fluminense em 1959 e 1964, e do Torneio Rio São Paulo em 1957 e 1960.
É do tempo em que os times jogavam com ponteiros autênticos e foi, sem dúvida, um dos melhores em sua posição, mesmo competindo com outros que marcaram época. Caracterizava-se também pelo espírito alegre e brincalhão, o que lhe valeu incontáveis amizades no meio esportivo, fato que ficou flagrante na festa com que sua família comemorou há três anos sua entrada no rol dos oitentões, na qual estiveram presentes muitos de seus ex-companheiros de Fluminense, como o saudoso Pinheiro, Jair Santana, Emilson, Altair, Jair Marinho e Cacá.
Antes de encerrar a carreira, Escurinho ainda atuou pela Portuguesa de Desportos e pelo Bonsucesso, mas é mesmo sua ligação com o Fluminense, clube que defendeu por cerca de 10 anos, que ficou marcada na memória dos torcedores.





